As RADIOCOMUNICAÇÕES DE EMERGÊNCIA tem sido muito negligenciadas, no sentido tecnologicamente preventivo, também por motivações políticas de manifestos favorecimentos empresariais tal qual a comunicação social tem reiteradamente trazido a público nos últimos anos, ou sejam, as comunicações de emergência carecem da criação e manutenção de redes de telecomunicações alternativas, suportadas por meios exteriores de transmissão – sem redes de cabos nem de fibras ópticas – mas por ligações de rádio, como meio alternativo com ligações dedicadas ponto a ponto e em rede, as mais susceptíveis de superarem as falhas das telecomunicações numa situação de catástrofe severa, terramoto, guerra ou terrorismo.

Estação de rádio do serviço de amador, em apoio à protecção civil, exercício PTQUAKE 2009

Muitas entidades oficiais, por desconhecimentos técnicos, acreditam incautos na infalibilidade e fiabilidade dos meios de comunicação comerciais, contudo, todos esses meios estão infelizmente suportados pelas tecnologias integradas e digitais, mecânica e fragilmente mantidos por meios de transmissão e de dados convergentes de informação muito concentrada e de fácil congestionamento, inclusive por excesso de utilizadores, o que é um factor humano compreensível e natural, num caso extremo de socorro, é aqui que as entidades oficiais pecam, por não considerarem as graves contingências que daí advém, numa situação extrema de calamidade natural ou inclusive de guerrilha ou terrorismo.

Muitos outros países, dramaticamente e regularmente fustigados por condições extremas como por exemplo os EUA, que neste contexto, assumem uma postura diametralmente oposta e assim, em alternativa às telecomunicações digitais concentradas e transportadas por meios físicos de transmissão, eles baseiam-se em sistemas redundantes, integralmente suportados pelas radiocomunicações autónomas, muitas delas extraordinariamente operacionalizadas quer pelos Postos de Amador, quer pelas Forças Armadas, igualmente dotadas de meios independentes e absolutamente autónomas e complementares de todas as redes das telecomunicações digitais comerciais, que tal como em Portugal, também estão dotados de waveform’s digitais para Transec e Comsec que garantem transmissão e comunicação encriptada e segura, em rede e ponto a ponto, sem fibras ópticas nem cabos telefónicos, suportando múltiplos pontos de acesso rádio, que podem cobrir distância em LOS e acima da linha de vista até várias dezenas, centenas ou milhares de quilómetros sem retransmissores.

Posto de rádio avançado, instalado no cenário de socorro, exercício de radioamadores e protecção civil

O conforto que as telecomunicações digitais nos oferecem, são serviços atractivos e socialmente muito importantes na era moderna, mas os sistemas não se compadecem, dada a sua natureza física e de profunda integração e interdependência, subjugadas às condições extremas imposta pelas falhas sucessivas e imprevisíveis que se produzem em iguais condições extremas de terremotos, em consequência das derrocadas dos edifícios e antenas fixas, das falhas de energia, pela ausência de acessibilidades e de suporte em combustíveis para as garantir o seu pleno funcionamento e restabelecimento.

O vídeo em baixo, faz uma breve alusão a uma ocorrência surpreendente, onde esta base de apoio dos Postos de Amador (Radioamadores) que estava sediada no CNOS dentro da sede da ANPC em Carnaxide, no edifício de Comando, de onde teve de se retrair para outro local e ser instalada numa estação destacada, montada num veículo de comunicações, isto por impossibilidade técnica de operar no edifício da ANPC, em virtude dos níveis de ruído radioeléctrico ali registados, por inadequadas condições técnicas de instalação face às especificações da compatibilidade electromagnética exigida pelos sistemas radioeléctricos também ali instalados. Face aos níveis de ruído radioeléctrico ali produzido, considerando que o patamar de ruído de um regular receptor de radiocomunicações é melhor que -120 dBm (0,2 μV RMS) o ruído verificado no local atrás referido, estava situado acima dos – 50 dBm (mais de 700 μV RMS) inviabilizando liminarmente, quaisquer radiocomunicações. Este ruído electromagnético de muito largo espectro e conteúdo harmónico (situado entre 2.000 kHz e mais de 150 MHz), era produzido pelas redes de cabos informáticos que durante todo o exercício se maninham em pleno funcionamento e sem falhas, facto que não ocorre numa condição média ou extrema de terramoto e que ali não terá sido ponderada.

Face às medidas alternativas técnica e logisticamente assumidas, na hora, o exercício foi concluído com pleno sucesso e tornou-se um case study tecnicamente estudado, sobre o qual, os organismos oficiais não deram a menor relevância. Contudo o sentido ético e profissional, bem como a elevação da consciência cívica dos participantes foram cumpridas (até com faltas injustificadas ao trabalho e não remuneradas, porque o Voluntariado em Portugal não funciona…).

Este exercício da ANPC – Autoridade Nacional de Protecção Civil para a Área Metropolitana de Lisboa em 2009, teve a participação de algumas centenas de cidadãos nacionais, preocupados com a salvaguarda das Pessoas, de Vidas e Bens da População Portuguesa. Eles são titulares do CAN – Certificado de Amador Nacional, são Voluntários e Dirigentes Associativos.

A ANPC nunca mais convocou novos exercícios desde 2009.

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